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12 de outubro de 2013

O professor diante dos avanços tecnológicos: muita pressão

Todo professor, hoje, sofre pressão para inovar sua prática. 

Há uma "cobrança" para ficar em dia com a cultura digital.
Cobrança externa e cobrança interna. Com maior ou menor intensidade. Mas é fato.

Mas será que só  agora estamos sofrendo pressões para incorporar tecnologias à nossa prática?

Afinal, a maioria de nós, já vivenciou (na prática pedagógica) o momento em que predominavam as tecnologias do reprodutível (eletromecânicas) jornal, fotografia e cinema – com foco no automatismo e na mecanização da vida. Em outros momentos, o foco estava nas tecnologias da difusão (eletroeletrônicas) rádio e TV que deram origem à chamada cultura de massa,  onde há um pólo emissor com uma penetração imensa entre os receptores. E ainda, momentos em que as tecnologias do disponível , vídeo-cassete, controle remoto, walkman, DVD,TV a cabo, que personalizaram a recepção, foram hiper-valorizadas.

E, muitas vezes, esses três tipos de tecnologias ao mesmo tempo.


Adaptado de entrevista de Lúcia Santaella
http://ow.ly/pKTSs 
Agora, estamos vivendo o momento de convivência simultânea com mais dois grupos de tecnologias: tecnologias do acesso - modem, mouse, software, mas, principalmente  a Internet, que permite, em um clique, o acesso a uma infinidade de informações; e as tecnologias da conexão contínua / móveis - telefones celulares e outras tecnologias  nômades que independem de cabos e outros recursos para se ter acesso à informação.

Ou seja, os cinco tipos ainda, em certa medida, convivem.É a mistura do antigo com o mais recente gerando uma nova cultura. 

Neste caso a cultura digital.                                           



1 de julho de 2013

Por que as escolas são da maneira que são?

Compartilho aqui um trechinho da fala que Sugata Mitra fez na abertura da #EducaParty, evento de educação dentro da Campus Party, em fevereiro de 2012, em São Paulo. 
Fala muito pertinente, uma vez que o debate sobre inovação na escola é um debate que não se esgota. Vamos ler? 

Por que as escolas são da maneira que são? - pergunta Sugata.

E propõe a nós todos que estávamos ali um exercício de imaginação ... Imaginem se tivéssemos uma máquina do tempo e voltássemos 200 anos na história. E de lá trouxéssemos um cirurgião cardíaco e o colocássemos, hoje, em uma sala de cirurgia do Instituto do Coração. Ele não compreenderia nada - eletrocardiógrafo, monitores, as luzes, outras máquinas - porque a ciência evoluiu muito neste aspecto. 

Se fizéssemos a mesma coisa com um professor, continua Sugata, ele entraria na sala de aula, pegaria um giz e daria sua aula. Pouca coisa mudou na educação. Por que aconteceu isso, uma vez que outras profissões acompanharam as mudanças? - indaga. Há 5 .000 anos as coisas acontecem do mesmo jeito. E volta a questionar ... 

De onde teria vindo essa estrutura? Carteiras, mesa, quadro e giz?

Sugata faz então uma retrospectiva curta e bem humorada da história da escola e conta que... 


Escola de AtenasAfresco  de Rafael - 1506-1510 - Palácio Apostólico, Vaticano
... as primeiras experiências vêm de Platão. Sócrates foi professor de Platão. Ele se sentava com 4 ou 5 aprendizes e lhes fazia perguntas. Quando os alunos perguntavam a resposta, ele dizia: eu não sei... Se soubesse, não teria feito a pergunta. Os alunos tinham que discutir e descobrir aquilo que conseguissem. 

O governo achou que já era o suficiente para aquele momento e Sócrates foi envenenado. 

Platão não querendo ter o mesmo fim que seu professor Sócrates, decidiu mudar o método socrático para dizer aos alunos que eles não seriam os únicos a dar as respostas. O professor também deveria dar aulas aos alunos. 
Ele usou esse método por um tempo em sua academia e deu origem a seu melhor aluno: Aristóteles

Aristóteles inventou a ciência da física. O governo disse a Aristóteles: que negócio é esse de coisas subindo, descendo... caindo? O que é tão especial nisso? Por que você não treina soldados? 

Aristóteles abriu uma academia, treinou alguns soldados e produziu Alexandre que conquistou metade do mundo e metade do mundo disse: nossa, esse método é fantástico. Em 335 a.C.Alexandre assume o trono e Aristóteles volta para Atenas, onde funda o Liceu.

E assim foi constituído o sistema escolar que temos até hoje! 

Saiba+

Escola

25 de junho de 2013

Aquela velha opinião formada sobre tudo ...

#diversidade no olhar ... na maneira de ver e compreender um mesmo fato ... é o que temos na vida ... é o que fica muito evidente quando estamos em rede. As pessoas têm visões diferentes!

É preciso APRENDER a lidar com isso. 

É uma aprendizagem que a escola tem que privilegiar, estimular: aprender a formar a própria opinião a partir de opiniões diferentes, sem maniqueísmo. 

Aprender a estar em rede!

#ficadica para os professores! 

27 de março de 2013

Por que celular na educação?

Sônia Bertocchi e Claudemir Edson Viana

Com a massificação do celular, seria de se esperar que o m-learning (mobile learning)  se tornasse um elemento importante na aprendizagem formal dos nossos alunos, uma vez que uma aprendizagem já acontece de maneira não formal, não sistematizada,  nem orientada pelos professores. A perspectiva seria que essa aprendizagem, por conta das características do celular, pudesse acontecer, cada vez mais, em ambientes interativos de forte colaboração em rede, e não necessariamente dentro da sala de aula. 

Algumas possíveis aplicações de celular no processo de ensino-aprendizagem é o que o pesquisador do Laboratório de Inteligência Coletiva da PUC, dr. Rogério da Costa, citou recentemente no encontro Interdidática: "O aluno pode trocar mensagens (SMS), consultar o dicionário, criar e consultar glossários, resolver questionários, ouvir as aulas em vídeo e áudio (podcasts) e fazer fotografias".
Ele acredita que essa forma de inteligência coletiva oferece resultados mais concretos e proveitosos do que os mecanismos de busca convencionais, por exemplo. No entanto, é bom entender que estes possíveis usos só terão sentido educativo se houver uma intencionalidade pedagógica, isto é, se estas ações forem realizadas pelos jovens em razão de um projeto pedagógico proposto pelos seus educadores e de forma articulada a ele.
Ele acredita que essa forma de inteligência coletiva oferece resultados mais concretos e proveitosos do que os mecanismos de busca convencionais, por exemplo. No entanto, é bom entender que estes possíveis usos só terão sentido educativo se houver uma intencionalidade pedagógica, isto é, se estas ações forem realizadas pelos jovens em razão de um projeto pedagógico proposto pelos seus educadores e de forma articulada a ele.
"Lo más interesante de cualquier transformación tecnológica no es lo que los ingenieros dicen que va a pasar, sino lo que la gente hace con ella. Somos nosotros los que estamos cambiando, no las tecnologías las que nos hacen cambiar."
Manuel Castells em entrevista à BBC Mundo.

O acelerado desenvolvimento tecnológico que se tem verificado recentemente nas potencialidades dos celulares  (WiFi, 3G e 3GS), aliado às suas potencialidades originais já  reconhecidas como recursos técnicos para a aprendizagem - portabilidade, interatividade, sensibilidade ao contexto, conectividade e individualidade -,  sinaliza condições mais que favoráveis para que educadores se dediquem urgentemente ao estudo e desenvolvimento de propostas pedagógicas que incluam aplicações desses equipamentos na escola.
Essas propostas poderiam incluir desde atividades simples de caráter comportamentalista até atividades de natureza construtivista, passando pela aprendizagem em situação e pelo ensino colaborativo apoiado em computador, baseado na psicologia sociocultural de Vygotsky.
Afinal, a tecnologia sempre está a serviço da humanidade, e num contexto educativo não poderia ser de outra forma, se não, novamente, estaríamos incorporando o uso dos recursos de tecnologias novas na educação, como o celular, apenas para parecer moderninho, ou seja, apenas pela tecnologia em si (como fim e não meio), até mesmo com metodologias de ensino absolutamente tradicionais e incoerentes com as características naturais decorrentes desses recursos tecnologócios, o que seria um anacronismo total. 
  
É, portanto, necessário aos educadores uma abertura inicial para estas questões e suas possibilidades, a fim de que possam vislumbrar paulatinamente o que em sua prática pedagógica seria possível aplicar com os recursos da telefonia móvel e o que em sua prática deveria mudar para conseguirem incorporar e explorar da melhor maneira estes recursos. Este processo do educador é necessário e leva certo tempo, inclusive de experimentações, já que na formação do educador, nem de longe, tratou-se de forma adequada e atualizada o uso de recursos das tecnologias de informação e comunicação em suas práticas pedagógicas. 

Então, é preciso considerar este tempo do educador, e também oportunizar formações continuadas que apresentem estas novas situações de ensino-aprendizagem, as novas formas de ser e fazer dos jovens para que os profissionais da educação comecem a atuar de maneira articulada com o contexto social em que seus alunos vivem. 
  
Esta modalidade de ensino, o m-learning, implica em modalidades de educação que utilizam os dispositivos móveis, como o celular, aplicados na educação. Cresce o número de exemplos deste uso pelo mundo. Recentemente, nos Estados Unidos, alunos de diferentes escolas da cidade de Austin, Chicago e Boston têm aulas de biologia, matemática, química, ciências e estatística com seus celulares. São atividades intituladas de "simulações participativas", em que estudantes recebem um conteúdo do professor via celular e passam a interagir com ele, enviando em seguida suas intervenções aos colegas. Saiba mais sobre este tipo de "simulação participativa" (In: veja.abril.com.br).

Pelo celular ... lá na escola: Mobilidade e convergências nos projetos pedagógicos

Sônia Bertocchi e Claudemir Edson Viana

Os "mais vividos", com certeza, devem se lembrar do samba "Pelo Telefone", autoria de Donga, de 1916. E do verso que diz que "o chefe da polícia, pelo telefone, mandou avisar...". Unanimemente, entendemos que avisou via fala, serviço de comunicação verbal próprio desta tecnologia. Parece muito óbvio para nós – mas lembremos o espanto geral que a invenção do telefone causou poucos anos antes: D. Pedro II, ao ver o invento pela primeira vez, durante a feira de Filadélfia nos Estados Unidos em 1876, disse :  "Meu Deus, isto fala!", e logo comprou 100 aparelhos telefônicos para trazer ao Brasil.

Mas, 133 anos depois, falar por meio do celular é apenas uma das ações que esta tecnologia nos permite fazer. Aliás, é a mais simples e corriqueira atividade: falar pelo celular é o que faz aproximadamente 86% da população brasileira possuidora de celular. Com um custo cada vez menor e tecnologias mais avançadas, encontramos celulares que permitem muito mais que simplesmente falar. Em agosto de 2009, segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), atingiu-se o impressionante número de 164,5 milhões de celulares no país, o que representa um índice de densidade de 85,91 celulares para cada 100 habitantes.


Nova sociabilidade: a portabilidade
 

O histórico da evolução material da telefonia, aponta uma nova sociabilidade que emergiu sob o suporte do aspecto portátil do celular. A partir da história do telefone, podemos vislumbrar, sob a perspectiva da materialidade da comunicação, as afetações que um artefato técnico pode trazer à tona em uma determinada cultura, como a da presença significativa do celular na contemporaneidade.

Hoje, pelo celular se pode também escrever, fotografar, filmar, editar, jogar, navegar na Internet, enviar e-mail, torpedos, ouvir música ou rádio. São tantas as possibilidades impensáveis há alguns anos, que podemos imaginar o que diria D. Pedro II se pudesse conferir esta evolução. Este avanço tecnológico da telefonia é mais um exemplo claro do que pensadores da Escola de Toronto (Harold Innis, Eric Havelock, Marshall McLuhan) destacavam sobre o fato das tecnologias comunicacionais possuírem o poder de transformar as culturas e as subjetividades, e de estas, por sua vez, provocarem novos ciclos de mudanças tecnológicas, numa dialética sem fim.

Conforme a 4ª Pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação no Brasil (TIC Domicílios 2008), realizada pela Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), cada vez mais no Brasil utiliza-se o celular para enviar ou receber imagens, acessar músicas ou vídeos. Esta pesquisa anual pela primeira vez incluiu a análise da área rural e mostrou que, mesmo com a maioria da população utilizando os planos pré-pagos (91%), de 2005 a 2008 subiu de 4% para 24% a utilização do celular com o envio ou recebimento de imagens, e de 9% para 23% com o uso de músicas e vídeos, tendo ocorrido um crescimento mais significativo nos dois últimos anos em razão das conexões 3G e da presença no mercado de celulares mais potentes. Isto demonstra como o uso mais multimídia do celular vem ocorrendo entre os brasileiros graças à sua evolução técnica.

Em outra pesquisa também se constata a forte presença dos celulares entre estudantes brasileiros: dados da publicação A Geração Interativa na Ibero–América: crianças e adolescentes diante das telas - um estudo feito em parceria entre a Universidade de Navarra, na Espanha, a Fundação Telefônica e o EducaRede - apontam para o sucesso do aparelho celular entre os jovens de 6 a 18 anos de idade. Em São Paulo, nada menos que 82% dos estudantes que participaram da pesquisa afirmaram possuir um telefone móvel.

Em alguns contextos sociais, usam-se os aparelhos móveis para outras finalidades que, de normalmente secundárias passam a principais, como câmera, tocador digital ou videogame portátil. Exemplos internacionais deste tipo de uso alternativo são o que demonstram os dados de uma pesquisa feita pelaLightspeed.

No Brasil, um exemplo dessa situação é o que ocorre na cidade potiguar de Barcelona. E são os jovens e as crianças que dão show quando o negócio é usar todos os recursos do celular ou quando mostram não terem medo de explorar o celular para aprender como utilizá-lo. E aí está a diferença. Muitos dos adultos, e em especial os educadores, não conhecem ou não usam estes recursos todos e muito menos visualizam como eles e a cultura deles decorrente podem ser associados às práticas escolares.


Atenção: desligar e guardar os celulares. Celular na escola? Pode?
Tem causado grande polêmica a criação de leis municipais e estaduais que propõem proibições para o uso do celular nas escolas. Nas redes de ensino onde isto já é praticado, justifica-se que só mesmo com a proibição legal garante-se a autoridade do professor que, desta forma, amparado pela lei, pode se fazer respeitar durante suas aulas, proibindo o uso do celular. "Celular na escola, não!", ou como dizem os não tão radicais, "celular durante a aula, não!".

Mas por que mesmo não pode? O vilão da vez

Para responder a esta pergunta, sataniza-se o equipamento, o celular, e destaca-se o quanto os alunos, crianças e jovens, envolvem-se por tudo o que esta tecnologia de informação e comunicação possibilita, deixando assim de se interessarem pelas aulas dos seus professores. Então, neste caso, a opção melhor é mesmo proibir, censurar, pois se trata de uma concorrência desleal, argumenta a maioria. E por isso, os professores aplaudem tal legislação. 

No entanto, com este tipo de censura, perde a educação e perde a sociedade. Sérgio Amadeu, pesquisador de Comunicação Mediada por Computador e da Teoria da Propriedade dos Bens Imateriais, diz que "não tem sentido você proibir que os estudantes tenham acesso a um meio de comunicação que cada vez mais vai adquirir importância na sociedade. Ao contrário, se a gente tem problemas do uso indevido nas escolas, esse é um bom lugar para ensinar como as pessoas devem se portar com o celular". Amadeu ainda ressalta: "Se existem algumas coisas ruins, como por exemplo, a pessoa usar o celular para fazer um joguinho em sala de aula ou para fazer ligações, isso requer uma postura da escola em relação aos alunos. Se é impossível ensinar um comportamento de uso de celular a um estudante, o que será possível?". A professora Andrea Guimarães Phebo complementa: "A lei só vê um lado da questão: o lado da falta de educação e desrespeito da utilização. Se os próprios educadores não tiverem um olhar diferenciado sobre como podem transformar a ferramenta celular de "vilão" em "mocinho", a lei continuará impedindo que este instrumento tecnológico de múltiplas funções possa se transformar em ferramenta didática". (In.  Educarede: As 1001 utilidades de um celular)

Essas legislações passam a seguinte mensagem: quando não se sabe o que fazer ou como lidar com algo é melhor proibi-lo pura e simplesmente! E erram feio mais uma vez: na escola já se proibiu o uso de jogos, de filmes, de gibis, dos periódicos, da televisão e mesmo do computador no processo de ensino-aprendizagem. Agora, o vilão da vez é o celular!


Definitivamente, proibir por proibir não é o melhor caminho, até porque os jovens são criativos o suficiente para burlar as proibições. Um exemplo dessa criatividade é o que estudantes ingleses inventaram:  "Eles criaram um toque de celular, semelhante a um apito, que a maioria dos adultos não consegue ouvir. Com isso, podem receber avisos de mensagens armazenadas no celular, ou até mesmo chamadas, sem que a professora se dê conta da infração cometida bem à sua frente. O segredo está na freqüência sonora em que o toque é executado: 17 quilohertz, o que resulta num som extremamente agudo. A ciência ensina que a perda gradativa da audição decorrente da idade, ou presbiacusia, começa com a menor percepção dos tons mais altos do espectro sonoro. O toque criado pelos garotos ingleses encontra-se justamente numa faixa do espectro que não é percebida pela maioria das pessoas com mais de 29 anos". (In:  A última travessura: Adolescentes usam toque de celular numa frequência que muitos adultos não escutam. Leoleli Camargo- Veja - Edição 1961 . 21 de junho de 2006.


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O celular integrado às atividades do projeto inha Terra


Sônia Bertocchi] e Claudemir Edson Viana
 
As razões indicadas em "Pelo Celular...lá na escola!" e "Por que celular na educação?" serviram de fundamento para a decisão de incluir o aparelho nas atividades propostas pela comunidade virtual de aprendizagem Minha Terra 2009 - aprender a inovar, do Portal Educarede. Como um dos desafios apresentados por esta comunidade aos seus participantes, foi lançado, em agosto de 2009, o "Pelo Celular - planejando a intervenção". O pedido era que as equipes de reportagens (alunos do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio) produzissem um registro de até um minuto em audiovisual, utilizando a câmera do celular. Nesse audiovisual a equipe anunciaria o projeto de intervenção na realidade social que havia sido objeto de sua primeira reportagem, então já publicada num espaço específico da comunidade virtual (a galeria temática).
 
Para tanto, a equipe necessitaria passar por alguns procedimentos preparatórios fundamentais, como a preparação de um roteiro básico, a organização do cenário, da iluminação e do ensaio dos envolvidos na atuação. Essa necessidade demonstra o quanto a atividade não se resume apenas ao uso do equipamento e de seus recursos: o planejamento e a criação prévia da equipe são etapas fundamentais para o melhor proveito das ideias e do equipamento.
  
Neste desafio, compunham a trajetória não só o uso do aparelho de celular, mas também procedimentos posteriores, como o ato de baixar a gravação num determinado computador, fazer ou não a edição do material gravado, proceder com a publicação do produto final no YouTube e, finalmente, "colar a publicação" no Canal Minha Terra no YouTube (cujo acesso direto se dá pelo link disponibilizado na home desta comunidade) no grupo temático específico identificado com o título deste desafio.
 
"Lo que realmente es importante de la comunicación móvil no es tanto la movilidad, sino la conectividad permanente, estés donde estés, se haga donde se haga.
Esto nos permite estar constantemente relacionados
con los amigos, la familia y el trabajo."
Manuel Castells em entrevista à BBC Mundo.
 
Além disso, o grupo ainda teria que comunicar a todos os demais participantes sobre a publicação e convidá-los para assistir à sua produção, fazendo uso dos demais canais e ferramentas de interação apresentados no Minha Terra, como o blog da comunidade e o uso do Twitter pessoal, ou mesmo institucional, criado pelos alunos (Twitter do grupo de repórteres ou Twitter da escola, por exemplo).
 
Assim, dava-se a efetiva utilização das características próprias do uso do celular, como a mobilidade, e também a convergência e integração de diferentes mídias, linguagens e suportes técnicos, ao se propor em seguida a utilização do YouTube, do blog e do Twitter. E, o mais importante, tudo isso acontecia em razão e a favor do desenvolvimento do projeto de intervenção social da equipe que, por sua vez, trazia uma proposta pedagógica de trabalho. 
 
Foram vários os exemplos de trabalhos cuja criatividade e capacidade de realização demonstraram domínio sobre o uso destes recursos diferenciados do celular de forma articulada aos demais recursos da Web 2.0 propostos pelo Minha Terra. Em alguns casos a riqueza no trabalho de equipes de reportagem com os elementos de construção da mensagem como roteiro, cenário, iluminação, som, edição, causou surpresa, demonstrando o quanto os jovens têm ou desenvolvem facilmente múltiplas habilidades no uso de diferentes plataformas e tecnologias.
 
Em novembro foi lançado o segundo desafio, desta vez intitulado "Pelo Celular - minuto intervenção", no qual as equipes participantes teriam que registrar algum momento da execução do seu projeto de intervenção para, posteriormente, proceder com sua publicação e sua publicização nos mesmos moldes do que fora proposto o primeiro desafio.
 
Com esta inserção do celular nas atividades do Minha Terra, a principal intenção foi provocar entre os jovens e, sobretudo, entre os educadores a percepção de como o celular e seus recursos podem ser inseridos de forma articulada às demais ações de um projeto pedagógico, no qual quem ganha é o próprio projeto e as pessoas envolvidas. Assim, espera-se que outras situações de ensino, fora das propostas do Minha Terra, aconteçam como um desdobramento desta comunidade, o que, aliás, constata-se já estar acontecendo, a exemplo do uso do 
Twitter.


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10 de maio de 2012

Um presente de dia das mães inesquecível!

Volta e meia, as pessoas me perguntam como eu, depois de mais de 25 anos de magistério (isso em 96), me interessei pelas novas tecnologias da informação e comunicação. Ou melhor, como me aventurei a incorporá-las ao meu dia-a-dia como educadora. 

Em 2002, escrevi um texto contando como foi esse meu start ...ou quando e como me deu o "estalo",  como dizia Vieira.  Como a pergunta é recorrente, o reproduzo aqui. Espero que gostem!


Um presente de Dia das Mães inesquecível
Em 1996, meu presente de Dia das Mães foi um "fax modem" para meu bom e velho computador. Até então, só conhecia Internet de "ouvir falar". Mas tinha muita curiosidade. Então, meus filhos, 17, 20 e 22 anos na época, tiveram a grande idéia: "vamos conectar" a mamãe!
A instalação do modem foi um parto...com dor ...um trabalho demorado...durou uma segunda-feira inteira! A primeira conexão, um evento...inesquecível! As primeiras incursões, uma aventura emocionante...demais!

Passados os primeiros momentos de inocente deslumbramento por estar conectada e poder me comunicar online com outras pessoas, o olhar pedagógico entrou rapidamente em ação e uma pergunta começou a me atormentar: como incorporar essa novidade à minha prática já sedimentada numa experiência de 25 anos?
 

Naquela semana, a questão se transformou num desafio: passar de uma usuária comum e primária do computador a uma profissional de ensino que fizesse uso educativo da Internet, de uma maneira positiva e crítica. Para isso, era necessária uma visão bem fundamentada dos procedimentos pedagógicos que favorecessem a assimilação e multiplicação dos efeitos e das ações de um recurso como a Internet no processo ensino-aprendizagem. Essa visão eu não tinha e nem sabia bem como e onde buscá-la.
 

Nessa época, 96, 97, assisti a acalorados debates sobre o uso da Internet na Educação. As opiniões divergiam em vários aspectos. P
Porém, uma idéia predominava: Internet é uma ferramenta. Só isso. 
Ou tudo isso, como argumentavam seus mais ardorosos defensores.


Percebi, então, que para nós, educadores, surgia uma nova ferramenta de ensino com características que precisavam ser conhecidas, analisadas e exploradas com propriedade e exaustivamente. Essa foi minha tarefa durante esses dois anos.
Como a escola em que trabalhava -uma escola pública municipal da região do ABC paulista  já contava com dois laboratórios de informática, com 40 computadores ligados à Internet, a possibilidade de usá-los para desenvolver aulas de Língua Portuguesa ficou muito mais viável.

 O Lousa em 200
Assim, em 98, com a ajuda de colegas, coloquei no ar um site pessoal com conteúdo próprio para trabalhar com meus alunos do Ensino Médio. Porém, apenas uma boa infra-estrutura física não é suficiente para garantir, de imediato, a aceitação e o sucesso de projetos que tenham novas tecnologias como suporte. Antigas e consistentes convicções ficam fragilizadas, hierarquias há muito internalizadas são subvertidas, a rotina tradicional da unidade escolar é consideravelmente alterada, novos e complexos padrões se impõem com força e velocidade assustadoras.


Como professora de Língua Portuguesa, coordenadora de área e, posteriormente, coordenadora de projetos, pude, durante esses anos, dividir com meus colegas das diversas áreas, muitas dúvidas e poucas certezas, crenças e descrenças, grandes frustrações e pequenas alegrias, receios, inseguranças, anseios, desejos, revoltas e resignações quanto à
possibilidade/necessidade/urgência/inexorabilidade de mudanças e inovações nas formas de desenvolver nossa atividade docente, principalmente no que diz respeito à incorporação de novas tecnologias a um processo já tão complexo por natureza.
Após passar por diferentes etapas de diferentes aprendizados e adquirir mais habilidades para "mexer com computador", consegui reunir condições mínimas para associar os recursos que a máquina oferece aos objetivos de uma atividade docente que os novos tempos impõem. 


Isso não significa muito, nem o final da tarefa, pois, com a velocidade do avanço tecnológico e a mudança da sociedade, essas condições têm que ser revistas quase que a cada dia.
A mudança de paradigma é complexa e envolve questões de toda ordem: tecnológica, trabalhista, ideológica, cultural, psicológica, entre outras nada menos difíceis. 


Mas é inevitável, uma vez que "A mais nova das linguagens, a informática, faz parte do cotidiano e do mundo do trabalho. Vive-se o mundo da parabólica, dos sistemas digitais, dos satélites, da telecomunicação. Conviver com todas as possibilidades que a tecnologia oferece é mais que uma necessidade, é um direito social." (Parâmetros Curriculares Nacionais - Ensino Médio - 1999).

Texto originalmente publicado em 03/07/2002 em Ensinar com Internet

29 de fevereiro de 2012

Pelo celular... lá na escola!
Mobilidade e convergências nos projetos pedagógicos

Sônia Bertocchi  & Claudemir Edson Viana


Os "mais vividos", com certeza, devem se lembrar do samba "Pelo Telefone", autoria de Donga, de 1916. E do verso que diz que "o chefe da polícia, pelo telefone, mandou avisar...". Unanimemente, entendemos que avisou via fala, serviço de comunicação verbal próprio desta tecnologia. Parece muito óbvio para nós – mas lembremos o espanto geral que a invenção do telefone causou poucos anos antes: D. Pedro II, ao ver o invento pela primeira vez, durante a feira de Filadélfia nos Estados Unidos em 1876, disse :  "Meu Deus, isto fala!", e logo comprou 100 aparelhos telefônicos para trazer ao Brasil.

Mas, 133 anos depois, falar por meio do celular é apenas uma das ações que esta tecnologia nos permite fazer. Aliás, é a mais simples e corriqueira atividade: falar pelo celular é o que faz aproximadamente 86% da população brasileira possuidora de celular. Com um custo cada vez menor e tecnologias mais avançadas, encontramos celulares que permitem muito mais que simplesmente falar. Em agosto de 2009, segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), atingiu-se o impressionante número de 164,5 milhões de celulares no país, o que representa um índice de densidade de 85,91 celulares para cada 100 habitantes.



Nova sociabilidade: a portabilidade
O histórico da evolução material da telefonia, aponta uma nova sociabilidade que emergiu sob o suporte do aspecto portátil do celular. A partir da história do telefone, podemos vislumbrar, sob a perspectiva da materialidade da comunicação, as afetações que um artefato técnico pode trazer à tona em uma determinada cultura, como a da presença significativa do celular na contemporaneidade.

Hoje, pelo celular se pode também escrever, fotografar, filmar, editar, jogar, navegar na Internet, enviar e-mail, torpedos, ouvir música ou rádio. São tantas as possibilidades impensáveis há alguns anos, que podemos imaginar o que diria D. Pedro II se pudesse conferir esta evolução. Este avanço tecnológico da telefonia é mais um exemplo claro do que pensadores da Escola de Toronto (Harold Innis, Eric Havelock, Marshall McLuhan) destacavam sobre o fato das tecnologias comunicacionais possuírem o poder de transformar as culturas e as subjetividades, e de estas, por sua vez, provocarem novos ciclos de mudanças tecnológicas, numa dialética sem fim.

Conforme a 4ª Pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação no Brasil (TIC Domicílios 2008), realizada pela Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), cada vez mais no Brasil utiliza-se o celular para enviar ou receber imagens, acessar músicas ou vídeos. Esta pesquisa anual pela primeira vez incluiu a análise da área rural e mostrou que, mesmo com a maioria da população utilizando os planos pré-pagos (91%), de 2005 a 2008 subiu de 4% para 24% a utilização do celular com o envio ou recebimento de imagens, e de 9% para 23% com o uso de músicas e vídeos, tendo ocorrido um crescimento mais significativo nos dois últimos anos em razão das conexões 3G e da presença no mercado de celulares mais potentes. Isto demonstra como o uso mais multimídia do celular vem ocorrendo entre os brasileiros graças à sua evolução técnica.

Em outra pesquisa também se constata a forte presença dos celulares entre estudantes brasileiros: dados da publicação A Geração Interativa na Ibero–América: crianças e adolescentes diante das telas - um estudo feito em parceria entre a Universidade de Navarra, na Espanha, a Fundação Telefônica e o EducaRede - apontam para o sucesso do aparelho celular entre os jovens de 6 a 18 anos de idade. Em São Paulo, nada menos que 82% dos estudantes que participaram da pesquisa afirmaram possuir um telefone móvel.

Em alguns contextos sociais, usam-se os aparelhos móveis para outras finalidades que, de normalmente secundárias passam a principais, como câmera, tocador digital ou videogame portátil. Exemplos internacionais deste tipo de uso alternativo são o que demonstram os dados de uma pesquisa feita pelaLightspeed.

No Brasil, um exemplo dessa situação é o que ocorre na cidade potiguar de Barcelona. E são os jovens e as crianças que dão show quando o negócio é usar todos os recursos do celular ou quando mostram não terem medo de explorar o celular para aprender como utilizá-lo. E aí está a diferença. Muitos dos adultos, e em especial os educadores, não conhecem ou não usam estes recursos todos e muito menos visualizam como eles e a cultura deles decorrente podem ser associados às práticas escolares.


Atenção: desligar e guardar os celulares. 
Celular na escola? Pode?
Tem causado grande polêmica a criação de leis municipais e estaduais que propõem proibições para o uso do celular nas escolas. Nas redes de ensino onde isto já é praticado, justifica-se que só mesmo com a proibição legal garante-se a autoridade do professor que, desta forma, amparado pela lei, pode se fazer respeitar durante suas aulas, proibindo o uso do celular. "Celular na escola, não!", ou como dizem os não tão radicais, "celular durante a aula, não!".

Mas por que mesmo não pode? O vilão da vez

Para responder a esta pergunta, sataniza-se o equipamento, o celular, e destaca-se o quanto os alunos, crianças e jovens, envolvem-se por tudo o que esta tecnologia de informação e comunicação possibilita, deixando assim de se interessarem pelas aulas dos seus professores. Então, neste caso, a opção melhor é mesmo proibir, censurar, pois se trata de uma concorrência desleal, argumenta a maioria. E por isso, os professores aplaudem tal legislação. 

No entanto, com este tipo de censura, perde a educação e perde a sociedade. Sérgio Amadeu, pesquisador de Comunicação Mediada por Computador e da Teoria da Propriedade dos Bens Imateriais, diz que "não tem sentido você proibir que os estudantes tenham acesso a um meio de comunicação que cada vez mais vai adquirir importância na sociedade. Ao contrário, se a gente tem problemas do uso indevido nas escolas, esse é um bom lugar para ensinar como as pessoas devem se portar com o celular". Amadeu ainda ressalta: "Se existem algumas coisas ruins, como por exemplo, a pessoa usar o celular para fazer um joguinho em sala de aula ou para fazer ligações, isso requer uma postura da escola em relação aos alunos. Se é impossível ensinar um comportamento de uso de celular a um estudante, o que será possível?". A professora Andrea Guimarães Phebo complementa: "A lei só vê um lado da questão: o lado da falta de educação e desrespeito da utilização. Se os próprios educadores não tiverem um olhar diferenciado sobre como podem transformar a ferramenta celular de "vilão" em "mocinho", a lei continuará impedindo que este instrumento tecnológico de múltiplas funções possa se transformar em ferramenta didática". (In.  Educarede: As 1001 utilidades de um celular)

Essas legislações passam a seguinte mensagem: quando não se sabe o que fazer ou como lidar com algo é melhor proibi-lo pura e simplesmente! E erram feio mais uma vez: na escola já se proibiu o uso de jogos, de filmes, de gibis, dos periódicos, da televisão e mesmo do computador no processo de ensino-aprendizagem. Agora, o vilão da vez é o celular!



Definitivamente, proibir por proibir não é o melhor caminho, até porque os jovens são criativos o suficiente para burlar as proibições. Um exemplo dessa criatividade é o que estudantes ingleses inventaram:  "Eles criaram um toque de celular, semelhante a um apito, que a maioria dos adultos não consegue ouvir. Com isso, podem receber avisos de mensagens armazenadas no celular, ou até mesmo chamadas, sem que a professora se dê conta da infração cometida bem à sua frente. O segredo está na freqüência sonora em que o toque é executado: 17 quilohertz, o que resulta num som extremamente agudo. A ciência ensina que a perda gradativa da audição decorrente da idade, ou presbiacusia, começa com a menor percepção dos tons mais altos do espectro sonoro. O toque criado pelos garotos ingleses encontra-se justamente numa faixa do espectro que não é percebida pela maioria das pessoas com mais de 29 anos". (In:  A última travessura: Adolescentes usam toque de celular numa frequência que muitos adultos não escutam. Leoleli Camargo- Veja - Edição 1961 . 21 de junho de 2006. 


Veja Também: 
 • Por que celular na educação? 
 • O celular integrado às atividades do Minha Terra

Publicado originalmente em
http://www.educared.org/educa/index.cfm?pg=revista_educarede.especiais&id_especial=493 
08/12/2009

29 de agosto de 2011

Pedagogia do cavalo que não tem sede
- um pouco de Freinet

Durante cinco anos, publiquei na revista L'Éducateur, órgão pedagógico do nosso Instituto Cooperativo da Escola Moderna, uma página-guia que intitulei "Dits de Mathieu", em lembrança à rica personalidade do camponês-poeta-filósofo, herói do meu livro L'éducation du travail.

A inspiração desses Dits encontra-se aqui resumida, no título do capítulo 1: "Uma pedagogia de bom senso".

Minha longa experiência dos homens simples, das crianças e dos animais persuadiu-me de que as leis da vida são gerais, naturais e válidas para todos os seres.

A história do cavalo que não está com sede.

O jovem da cidade queria prestar um serviço à fazenda onde o hospedavam, e então pensou:
Antes de levar o cavalo para o campo, vou dar-lhe de beber. Ganho tempo e ficaremos sossegados o dia todo.

Mas o que é isso? Agora é o cavalo quem manda? Recusa-se a ir para o bebedouro e só tem olhos e desejos para o campo de luzerna! Desde quando são os animais que mandam? Venha beber, estou dizendo!...

E o camponês novato puxa a rédea e depois vai por trás e bate no cavalo com força. Finalmente!...O animal avança... Está à beira do bebedouro...

— Talvez esteja com medo... E se eu o acariciasse?... Olhe, a água é limpa! Olha! Molhe as ventas... Como! Não?... Veja só!...

E o homem mergulha bruscamente as ventas do cavalo na água do bebedouro. — Agora você vai beber!

O animal funga e sopra, mas não bebe.

O camponês aparece, irônico: — Ah! Você acha que é assim que se lida com um cavalo? Ele é menos estúpido que os homens, sabe? Ele não está com sede...

— Pode matá-lo, mas ele não beberá. Talvez ele finja que está bebendo, mas vai cuspir em você a água que está sorvendo... Trabalho perdido, meu velho!...

— Então, como se faz?

— Bem se vê que você não é camponês! Você não compreende que a esta hora da manhã o cavalo não tem sede; ele precisa é de uma luzerna fresca. Deixe-o comer até ele se fartar. Depois ele vai ter sede e você vai vê-lo galopar para o bebedouro. Nem vai esperar você dar licença. Aconselho mesmo que você não se intrometa... E quando ele beber você poderá puxar a rédea!

É assim que sempre nos enganamos, quando pretendemos mudar a ordem das coisas e obrigar a beber quem não tem sede...

Educadores, vocês estão numa encruzilhada. Não teimem numa "pedagogia do cavalo que não tem sede". Caminhem com empenho e sabedoria para a "pedagogia do cavalo que galopa para a luzerna e para o bebedouro".


Célestin Freinet
PEDAGOGIA DO BOM SENSO
Tradução: J BAPTISTA
Martins Fontes
São Paulo 2004

13 de junho de 2011

"O pavor das novas tecnologias apenas revela o quanto a escola é cada dia mais anacrônica."

"Nossa trajetória tecnológica atual promete inovações inimagináveis; com características de montanha russa, sem sistema de freio. Ainda que esta trajetória seja emocionante, a velocidade do movimento é tamanha que, via de regra, carecemos de tempo para pensar nas conseqüências indesejáveis que podem acompanhá-la."

Considerando a fala* acima, de Jason Ohler , La Educación del Carácter en la Era Digital, abro um espaço aqui para "pensar" um pouco a relação da escola com os novos recursos de informação e comunicação que as novas tecnologias oferecem. No caso, as redes sociais online.

Para começar essa reflexão, destaco o recente episódio acontecido no Rio de Janeiro:

A suspensão de uma aluna de 15 anos que criou uma comunidade na rede social Facebook para a troca de informações sobre tarefas e provas da escola pH virou caso de polícia no Rio.
Após Jannah Nebbeling chegar sozinha de táxi em casa dizendo ter sido coagida a apagar a página sob risco de prisão, a mãe dela, Andrea Coelho, registrou queixa. Ela entrou, também, com processo por danos morais contra a escola.


Uma outra matéria, do Masters in Teaching, traz um infográfico (ao lado - clique para aumentar) que mostra outros episódios que têm acontecido na relação professor-aluno no Facebook.

Conclusão preliminar e óbvia: essa relação professor-alunos nas redes sociais precisa ser melhor trabalhada. 

É uma tarefa urgente...e nova! 
Como fazer isso?

O que vocês acham?  


Em tempo: a dica do texto A educação do caráter na era digital foi do João Curvello, Jornalista por formação, professor da graduação e do Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Brasília, pesquisador da Comunicação Organizacional.
http://twitter.com/joaocurvello
http://www.acaocomunicativa.pro.br

18 de maio de 2011

Pelo celular:
proposta de atividade com alunos


2 de fevereiro de 2011

Mídias sociais na escola:
questão de cidadania

Quem me acompanha sabe que sou uma defensora de primeira hora do uso das novas midias sociais na educação. Considero importante que professores conheçam esses recursos e explorem ao máximo o seu potencial comunicativo e interativo junto aos alunos.Tenho falado muito sobre isso em minhas participações em eventos de educação e colocado em prática as minhas idéias em projetos dos quais participo. 

Redes Sociais na escola: por que não?

Orkut na escola: por que não?

Redes Sociais e Educaçao - na Campus Party 2010

    Sei que é um assunto polêmico para os educadores, e que existe muita resistência - na maior parte das vezes, baseada em preocupações com as questões de privacidade e segurança na rede.Mas penso também que essas questões devem ser debatidas exaustivamente em sala de aula e que é tarefa da escola promover situações para uma aprendizagem efetiva de como estar em rede com segurança, privacidade, responsabilidade.

    Dica                                                                                                      
    Hoje, vou deixar uma dica para professores: um exemplo de um cidadão comum que viu em uma mídia social - YouTube - o caminho para exercer sua cidadania. Vejo essa situação como um case de sucesso que deveria servir de inspiração para educadores trazerem a questão do uso das mídias sociais para dentro da sala de aula e trabalharem questões como cidadania, direitos, controle, imprensa tradicional, novas mídias...e por aí afora. Separei um trecho da entrevista que esse cidadão, Oswaldo Luiz Borrelli, deu ao UOL Tecnologia.
    - UOL Tecnologia - Porque optou pelas redes sociais em vez de recorrer à imprensa tradicional?
    - Borrelli - Os meios tradicionais não têm a agilidade que eu precisava. Precisaria ter escrito para a “carta ao leitor”. Minha mensagem passaria, então, por uma triagem e pelo crivo de um editor. Precisava de uma geladeira. Não poderia esperar por esse processo. Além disso, milhares de consumidores escrevem para a imprensa todos os dias. Precisava chamar a atenção. Leiam a matéria completa


    Assistam ao vídeo
    Ah... esqueceram de revisar o texto da faixa. 
    O correto é: A Brastemp trata mal os seus clientes. Quer saber por quê?
    A outra opção seria: Quer saber o porquê? 
    Mas o recado foi dado!!!

    14 de março de 2010

    Hoje, a "febre" é o Twitter

    Em um artigo de 2004, Orkut: a febre da Internet, eu escrevia: Primeiro, foram as salas de bate-papo. Depois, vieram os blogs. Agora, a novidade é a polêmica Orkut... E segui pelo texto afora falando sobre a fórmula criada pelo jovem turco Orkut Buyukkokten e sua capacidade absurda de ampliar e resgatar círculos de amigos e, principalmente, segui mostrando possibilidades de aplicação dessa ferramenta em sala de aula.

    Hoje, a febre é o Twitter. Da mesma forma, escrevi no final de 2009, com Claudemir Viana, um artigo sobre a aplicação desse recurso em sala de aula. Compartilho aqui com vocês:
    Um passarinho me contou...Uso do Twitter na Educação Básica.





    10 de março de 2010

    A sociedade vai à escola: dossiê

    Com a assumida carência do Estado brasileiro para atender às demandas educacionais do país, organizações do terceiro setor são cada vez mais presentes. Ao ocupar espaços, trazem para a escola as tensões de visões políticas e educacionais divergentes.

    Leia a íntegra da matéria de Fabiano Curi para a Revista Educação e entenda mais sobre os papéis do estado e das organizações não governamentais no que se refere às responsabilidades para com a educação da sociedade brasileira.

    8 de março de 2010

    Orkut na sala de aula


    Passe o mouse sobre a imagem, clique "View in full screen" para ver em tela cheia e navegar com mais recursos.Clique e confira!

    10 de março de 2009

    Para pensar ...

    Esta imagem foi retirada de uma apresentação elaborada pela professora portuguesa Teresa Pombo sobre Uso educativo dos blogs.

    Está publicada no Slideshare e a idéia de colocar esta imagem aqui é provocar uma discussão sobre a presença das TICs na escola, o novo papel do professor e a realidade da sala ou laboratório de informática.

    Planejamento com TICs
    Como estamos em época de planejamento de ensino, pensar essas questões é fundamental. Vamos comentar?