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27 de setembro de 2013
29 de agosto de 2011
Pedagogia do cavalo que não tem sede
- um pouco de Freinet
Durante cinco anos, publiquei na revista L'Éducateur, órgão pedagógico do nosso Instituto Cooperativo da Escola Moderna, uma página-guia que intitulei "Dits de Mathieu", em lembrança à rica personalidade do camponês-poeta-filósofo, herói do meu livro L'éducation du travail.
A inspiração desses Dits encontra-se aqui resumida, no título do capítulo 1: "Uma pedagogia de bom senso".
Minha longa experiência dos homens simples, das crianças e dos animais persuadiu-me de que as leis da vida são gerais, naturais e válidas para todos os seres.
A história do cavalo que não está com sede.
O jovem da cidade queria prestar um serviço à fazenda onde o hospedavam, e então pensou:
Antes de levar o cavalo para o campo, vou dar-lhe de beber. Ganho tempo e ficaremos sossegados o dia todo.
Mas o que é isso? Agora é o cavalo quem manda? Recusa-se a ir para o bebedouro e só tem olhos e desejos para o campo de luzerna! Desde quando são os animais que mandam? Venha beber, estou dizendo!...
E o camponês novato puxa a rédea e depois vai por trás e bate no cavalo com força. Finalmente!...O animal avança... Está à beira do bebedouro...
— Talvez esteja com medo... E se eu o acariciasse?... Olhe, a água é limpa! Olha! Molhe as ventas... Como! Não?... Veja só!...
E o homem mergulha bruscamente as ventas do cavalo na água do bebedouro. — Agora você vai beber!
O animal funga e sopra, mas não bebe.
O camponês aparece, irônico: — Ah! Você acha que é assim que se lida com um cavalo? Ele é menos estúpido que os homens, sabe? Ele não está com sede...
— Pode matá-lo, mas ele não beberá. Talvez ele finja que está bebendo, mas vai cuspir em você a água que está sorvendo... Trabalho perdido, meu velho!...
— Então, como se faz?
— Bem se vê que você não é camponês! Você não compreende que a esta hora da manhã o cavalo não tem sede; ele precisa é de uma luzerna fresca. Deixe-o comer até ele se fartar. Depois ele vai ter sede e você vai vê-lo galopar para o bebedouro. Nem vai esperar você dar licença. Aconselho mesmo que você não se intrometa... E quando ele beber você poderá puxar a rédea!
É assim que sempre nos enganamos, quando pretendemos mudar a ordem das coisas e obrigar a beber quem não tem sede...
Educadores, vocês estão numa encruzilhada. Não teimem numa "pedagogia do cavalo que não tem sede". Caminhem com empenho e sabedoria para a "pedagogia do cavalo que galopa para a luzerna e para o bebedouro".
Célestin Freinet
PEDAGOGIA DO BOM SENSO
Tradução: J BAPTISTA
Martins Fontes
São Paulo 2004
A inspiração desses Dits encontra-se aqui resumida, no título do capítulo 1: "Uma pedagogia de bom senso".
Minha longa experiência dos homens simples, das crianças e dos animais persuadiu-me de que as leis da vida são gerais, naturais e válidas para todos os seres.
A história do cavalo que não está com sede.
O jovem da cidade queria prestar um serviço à fazenda onde o hospedavam, e então pensou:
Antes de levar o cavalo para o campo, vou dar-lhe de beber. Ganho tempo e ficaremos sossegados o dia todo.
Mas o que é isso? Agora é o cavalo quem manda? Recusa-se a ir para o bebedouro e só tem olhos e desejos para o campo de luzerna! Desde quando são os animais que mandam? Venha beber, estou dizendo!...
E o camponês novato puxa a rédea e depois vai por trás e bate no cavalo com força. Finalmente!...O animal avança... Está à beira do bebedouro...
— Talvez esteja com medo... E se eu o acariciasse?... Olhe, a água é limpa! Olha! Molhe as ventas... Como! Não?... Veja só!...
E o homem mergulha bruscamente as ventas do cavalo na água do bebedouro. — Agora você vai beber!
O animal funga e sopra, mas não bebe.
O camponês aparece, irônico: — Ah! Você acha que é assim que se lida com um cavalo? Ele é menos estúpido que os homens, sabe? Ele não está com sede...
— Pode matá-lo, mas ele não beberá. Talvez ele finja que está bebendo, mas vai cuspir em você a água que está sorvendo... Trabalho perdido, meu velho!...
— Então, como se faz?
— Bem se vê que você não é camponês! Você não compreende que a esta hora da manhã o cavalo não tem sede; ele precisa é de uma luzerna fresca. Deixe-o comer até ele se fartar. Depois ele vai ter sede e você vai vê-lo galopar para o bebedouro. Nem vai esperar você dar licença. Aconselho mesmo que você não se intrometa... E quando ele beber você poderá puxar a rédea!
É assim que sempre nos enganamos, quando pretendemos mudar a ordem das coisas e obrigar a beber quem não tem sede...
Educadores, vocês estão numa encruzilhada. Não teimem numa "pedagogia do cavalo que não tem sede". Caminhem com empenho e sabedoria para a "pedagogia do cavalo que galopa para a luzerna e para o bebedouro".
Célestin Freinet
PEDAGOGIA DO BOM SENSO
Tradução: J BAPTISTA
Martins Fontes
São Paulo 2004
16 de fevereiro de 2011
O que você faria se um aluno o(a) insultasse no Facebook?
Irritado com a tamanho/quantidade da lição de casa, Donny Tobolski, estudante americano do primeiro ano do ensino médio, escreveu na sua página do FaceBook que a sua professora era uma “gorda que devia parar de comer fast food, e uma escrota”.*
Fez essa postagem do computador da sua casa, fora do horário das aulas, mas a escola aplicou uma penalidade a ele: uma suspensão.
Em sua defesa, a União Americana de Liberdade Civil considerou essa medida como uma violação do direito à liberdade de expressão do aluno. O diretor da escola - a Mesa Verde High - anulou então a punição. O comentário está bloqueado, de acordo com as leis federais e estaduais e o Código de Educação do país.
O que diz a mãe?
Em depoimento ao jornal San Francisco Chronicle, a mãe admite que o comentário foi inapropriado e justifica:
Agradeço muito aos 66 educadores que responderam.
Segue o resultado.
Fez essa postagem do computador da sua casa, fora do horário das aulas, mas a escola aplicou uma penalidade a ele: uma suspensão.
Em sua defesa, a União Americana de Liberdade Civil considerou essa medida como uma violação do direito à liberdade de expressão do aluno. O diretor da escola - a Mesa Verde High - anulou então a punição. O comentário está bloqueado, de acordo com as leis federais e estaduais e o Código de Educação do país.
O que diz a mãe?
Em depoimento ao jornal San Francisco Chronicle, a mãe admite que o comentário foi inapropriado e justifica:
“(…) ele estava apenas desabafando, como todo mundo costuma fazer, sentado na grama durante o intervalo”, disse ela. “Alunos sempre vão comentar sobre seus professores. Eu não quero ele falando desse jeito a respeito de nenhuma figura de autoridade, mas não o bastante para um ato disciplinar que ficaria no histórico do garoto. Ele não representou nenhum tipo de perigo, (...)"O que VOCÊ faria? Para levantar esta questão aqui no Lousa, publiquei há uns dias uma enquete - obviamente sem valor de pesquisa - apenas para ter uma idéia do que os professores fariam em uma situação semelhante.
Agradeço muito aos 66 educadores que responderam.
Segue o resultado.
- O que você faria se um aluno seu a (o) chamasse de gorda (o) e escrota (o) no Facebook?
- Ignoraria 9 (13%)
- Conversaria com ele sobre 17 (25%)
- Promoveria debate em sala de aula sobre liberdade de expressão 34 (51%)
- Exigiria sua suspensão por 3 dias 0 (0%)
- Exigiria retratação via FaceBook 2 (3%)
- Postaria mensagem no FaceBook dizendo que ele é sem educação e escrotinho 4 (6%)
- fiquei assustada com o número de educadores - 13% - que optaram pela alternativa 1: ignorar. Quero acreditar que talvez fosse mesmo por não ter idéia do que fazer, como agir, já que o fato havia acontecido no "virtual" e não no presencial. Inclusive, recebi uma sugestão pelo Twitter pra colocar a opção "Não sei"... mas a enquete já havia recebido votos e não podia mais ser editada.
- considero um bom sinal não ter havido votos para a opção 4: pode indicar que professores já saibam que essas medidas burocráticas da escola tradicional - a suspensão, no caso - não se aplicam às ações de seus alunos em ambientes virtuais. Que nesses ambientes, as estratégias de relacionamento são outras. Enfim, que transpor o presencial para o virtual não é boa solução. Nem no presencial essa medida funciona!!!
- a opções 2(25%) e 3(51%) denotam a vontade do educador em debater a questão. Sempre é bom conversar individualmente, mas também sempre é "muito" bom colocar questões polêmicas como esta para o grupo de alunos e conseguir uma decisão compartilhada, o que a torna mais legítima. Ao optar por uma das duas (2 ou 3) o educador entendeu que a atitude do aluno era inaceitável, inapropriada e que esse comportamento precisava ser discutido. Entendeu também que comportamentos em ambientes virtuais deve sim ser assunto a ser conversado entre alunos e professores. É currículo!
- as opções 5 e 6 me surpreenderam... e muito!
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