30 de novembro de 2006

Morangos à beira do abismo

"Hoje não há razões para otimismo.
Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo. Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração. Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: “E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível”. Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural. Esperança é alegria a despeito de: coisa divina. O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade. O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo. Hoje, é tudo o que temos ao nos aproximarmos do século XXI: morangos à beira do abismo, alegria sem razões."

Rubem Alves. A possibilidade da esperança. (1999)

2 comentários:

  1. Sônia

    Parabéns pelo blog. Rubem Alves é um educador de extrema importância em nosso país. Coincidência, não a conheço e postamos o mesmo texto, por sinal belíssimo. Um abraço! Marcela.

    "Quantas pessoas começaram uma nova era em suas vidas a partir da leitura de um livro..... "

    (Henry David Thoreau)

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  2. Pronto, Marcela... agora já nos conhecemos. Seja bem-vinda ao Lousa. Gostei muito também do Livros & Literatura.
    Abraço,Sônia

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