30 de março de 2011

Comunidades virtuais e aprendizagem

Qual a diferença entre rede social e comunidade virtual?

Na verdade, rede social é um novo nome para comunidade virtual. Um dos primeiros autores a usar a expressão "comunidade virtual" foi Howard Rheingold, que definiu: "As comunidades virtuais são agregados sociais que surgem da internet quando uma quantidade suficiente de gente leva adiante essas discussões públicas durante um tempo suficiente, com suficientes sentimentos humanos, para formar redes de relações pessoais no espaço cibernético”.

Veja a íntegra da entrevista que dei ao Instituto Claro em que falo sobre a questão acima e muitas outras como:
  • De que forma as redes podem ser utilizadas como incentivo ao aprendizado dos alunos
  • As comunidades realmente funcionam para o aprendizado
  • Internetês
  • Interatividade 
  • Pesquisa

28 de março de 2011

É uma rede? É um grupo?
Não: é um ...


São coletivos!

Metaforicamente falando, coletivos são, representam, a sabedoria das multidões  (wisdom of crowds).

No sentido literal, coletivos são uma nova modalidade, um novo contexto em que a colaboração online pode se desenvolver. 

As modalidades que, a esta altura da evolução da web, já podemos considerar convencionais são: a rede e o grupo - a grupalidade e as redes de conhecimento.

Assim, para entender melhor o que são coletivos e como se diferenciam de redes e grupos, contamos com a ajuda  da tabela abaixo.



Grupo
Rede
Colectivo
Actividade
Projectos Colaborativos
Discussões e Pesquisas de bases de dados (queries)
Prospecção de dados, submissão individual, busca e pesquisas de bases de dados (queries)
Ferramentas sociais comuns
Discussões em fórum, chats.
Listas de correio electrónico e agregação de blogues.
Motores de busca, rede social  (MySpace, 43 Things etc)
Objectivos
Acreditação e aprendizagem formal
Geração de conhecimento
Extracção de  conhecimento
Período de tempo
Semestre
Tempo real e assincronia de  curto prazo (short term asynchrony)
Assincronia de longo prazo (long term asynchrony)
Comprometimento com a participação
Alto; avaliação frequente
Médio; consoante necessário para um e para alguns
Médio; consoante necessário para um
Motivação para contribuir
Externa
Reputação profissional
Apenas como um produto do uso individual
Metáfora
“Sala de aula virtual”
“Comunidades virtuais de prática”
“Sabedoria das multidões (wisdom of crowds)”
Expectativa de ajuda
Alta; frequentemente dependência mútua
Média; ethos de partilha e de share-alike
Baixa/Nenhuma; agregação inconsciente
Formas de comunicação
Um para um, um para alguns, alguns para muitos, alguns para alguns
Um para muitos, muitos para um, alguns para um, muitos para um, alguns par alguns
Muitos para muitos, muitos para alguns, muitos para um, alguns para um, alguns para alguns.




Convido todos vocês a visitarem e participarem destes coletivos:


#6adepoesia
#botequimtuitajoaquim 
#letras365
#tuitepaulofreire 
#elascomentam
#cafevoltaire
#eadsunday


Em tempo: este texto está em contrução. Em outro momento, gostaria de aprofundar dois pontos: 
  • o que é "ser coletivo" e 
  • as implicações pedagógicas dessa nova modalidade de "estar em rede". 

Para ajudar a conversa, veja o post relacionado:
Em busca de outro modelo para comunicação em rede


Conto com os comentários de vocês!





Quadro - Usos do software social na aprendizagem. Dron & Anderson (2007).  
Dron, Jon & Anderson, Terry (2007). Collectives, Networks and Groups in Social Software for e-Learning. In G. Richards (Ed.), Proceedings of World Conference on eLearning in Corporate, Government, Healthcare, and Higher Education 2007, 2460-2467. Chesapeake, VA: AACE. Disponível no Google Books aqui.

Em busca de outro modelo para comunicação em rede

Educadores: como é sua relação com a Internet

Conhecer a resposta a estas questões abaixo pode ajudar você a avaliar a sua atuação na Internet. Explore, compare, analise!
  • Quantos educadores acessam a Internet diariamente?
  • Quantas horas ficam conectados por dia?
  • Quantos possuem blog e ou acessam redes sociais?
  • Que tipos de atividades costumam realizar com seus alunos?
  • Como acompanham seus alunos?
  • Que medidas de proteção e segurança costumam adotar?
  • Quantos têm medo de serem difamados por colegas e ou alunos?


Confira infográfico com resumo da pesquisa. 

11 de março de 2011

Castells: o papel da internet na mobilização social

Revista ARede Online, jan/fev, traz uma entrevista com Manuel Castells publicada recentemente no portal da Universitad Oberta de Catalunya e reproduzida pelo site Outras Palavras. O sociólogo espanhol fala sobre o papel da internet na mobilização social, mais especificamente sobre os últimos movimentos revolucionários nos países do norte da África e Oriente Médio.

Destaco aqui dois trechos e deixo o link para a leitura da íntegra da entrevista.

A internet: condição necessária, mas não suficiente
 
Jordi Rovira – Os movimentos sociais espontâneos na Tunísia e Egito pegaram desprevenidos os analistas políticos. Como sociólogo e estudioso da Comunicação, você foi surpreendido pela ação da sociedade-rede destes países, em sua mobilização?

Manuel Castells – Na verdade não. No meu livro ‘Comunicação e Poder’, dediquei muitas páginas para explicar, a partir de uma base empírica, como a transformação das tecnologias de comunicação cria novas possibilidades para a auto-organização e a automobilização da sociedade, superando as barreiras da censura e repressão impostas pelo Estado. Claro que não depende apenas da tecnologia. A internet é uma condição necessária, mas não suficiente.
 
Os grandes meios de comunicação não têm escolha

Jordi Rovira – A aliança entre meios de comunicação convencional e novas tecnologias é o caminho a seguir no futuro, para enfrentar com êxito os grandes desafios?

Manuel Castells – Os grandes meios de comunicação não têm escolha. Ou aliam-se com a internet e com o jornalismo cidadão, ou irão se marginalizando e tornando-se economicamente insustentáveis. Mas hoje, essa aliança ainda é decisiva para a mudança social. Sem Al Jazeera não teria havido revolução na Tunísia.

 Leia a entrevista na íntegra

Leia também

 Ativismo digital:
onde, quando e como protestos foram organizados via Internet e celular

Protestos no mundo árabe: panorama

Como se desconecta um país?

Quem tem medo da Internet?
Poder e Educação

1 de março de 2011

Paulo Freire:
fonte de inspiração e referência para o campo da comunicação

Em um de meus posts anteriores, Paulo Freire e o Twitter, disse que um trecho da Carta de Paulo Freire aos Professores havia me chamado muito a atenção e me levado a imaginar que ele não hesitaria em recomendar aos professores que tuitassem ao menos "três vezes por semana". 

O post teve grande repercussão e suscitou uma boa conversa sobre a relação educação e as novas tecnologias da informação e da comunicação - tanto aqui como no Twitter. 

Foram muitas as mensagens recebidas, dentre as quais, destaco neste post, esta enviada por
http://tinyurl.com/4cbhkkw
Comunicação e Cultura em Paulo Freire 
p/ @soniabertocchi

Agradeço muito à Márcia Ribeiro, responsável pelo perfil @sibiunitau, por ter enviado o  link e convido todos vocês a lerem Comunicação e cultura em Paulo Freire, artigo muito bom de Venício A. de Lima* que defende: 

"as reflexões de Freire sobre comunicação 
nunca estiveram tão atuais" 
  
"Freire teoriza a comunicação interativa antes da revolução digital, vale dizer, antes da internet e de suas redes sociais".

O texto, além de profundidade, uma bibliografia excelente, traz também um "causo" logo no início...imperdível... e que dá pano para um outro post !


*Venício A. de Lima é jornalista, sociólogo, mestre, doutor e pós-doutor pela Universidade de Illinois; pós-doutor pela Universidade de Miami; professor-titular de Ciência Política e Comunicação aposentado da Universidade de Brasília; fundador e primeiro coordenador do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB, ex-professor convidado da EPPG-UFRJ, UFPA,UFBA, UCB e UCS, no Brasil, e das universidades de Illinois, Miami e Havana.

Educadores lamentam escolha de Tiririca para comissão na Câmara

No domingo passado, compartilhei em minha página no FaceBook, via Joao Mattar, uma matéria publicada pelo Estadão: Educadores lamentam escolha de Tiririca para comissão na Câmara.

A repercussão foi ótima e resolvi trazer a polêmica pra cá também e registrar em espaço e linguagem de blog. Aguardo mais comentários. Todos serão incorporados ao post para terem mais visibilidade e fomentarem a discussão.

Começo destacando duas falas da professora Maria Márcia Malavasi que resumem o que  penso sobre o caso e que também deixam claro que lamentar essa decisão da Câmara, ficar indignado com essa indicação não configura, necessariamente, discriminação, preconceito em relação à origem, profissão ou escolaridade do deputado Tiririca. Pode ser - e no meu caso é - uma crítica fundamentada em outras questões. 

"Acho lamentável", acrescenta a titular de Pedagogia da Faculdade de Educação da Unicamp, Maria Márcia Malavasi. "Não por ele, mas porque há tantas outras pessoas com carreira, seriedade e currículo para essa missão.
 

Marcia Malavasi, da Unicamp, esclareceu que não tem nada pessoal contra o deputado. "Não se trata de desmerecer as qualidades que ele possa ter. Mas é evidente que há uma inadequação entre o que ele representa e o tamanho dos desafios da educação brasileira."

Em outro trecho da matéria, o educador Mozart Ramos, do Todos Pela Educação fez uma comparação: "Imagino se, na hora de formar uma seleção brasileira de futebol, houvesse vagas e cotas para os clubes, como para os partidos". O mais grave, observou, é que este é um ano importante para as causas educacionais. "Temos um Plano Nacional de Educação a ser definido. Com ele, a Lei de Responsabilidade Educacional. A reforma do ensino superior, a questão das cotas." Uma agenda "em grande parte técnica, que exige gente de preparo no setor".

Bem, convido vocês a continuarem essa discussão. Ah...e caso ele - o deputado -  não saiba, ou não conte pra gente o que vai fazer lá, cliquem e vejam quais são as atribuições e as competências da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

Destaco aqui o campo temático da Comissão.

IX - Comissão de Educação e Cultura:

a) assuntos atinentes à educação em geral; política e sistema educacional, em seus aspectos institucionais, estruturais, funcionais e legais; direito da educação; recursos humanos e financeiros para a educação;
b) desenvolvimento cultural, inclusive patrimônio histórico, geográfico, arqueológico, cultural, artístico e científico; acordos culturais com outros países;
c) direito de imprensa, informação e manifestação do pensamento e expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação;
d) produção intelectual e sua proteção, direitos autorais e conexos;
e) gestão da documentação governamental e patrimônio arquivístico nacional;
f) diversões e espetáculos públicos; datas comemorativas e homenagens cívicas;

 Vejam a repercussão...
  • Jorge Castro Com todo o respeito aos palhaços, mas ele continua com as palhaçadas. Cheguei a cogitar que, por ter passado por tudo o que passou na vida, ele poderia (de alguma forma) contribuir, mas acho a possibilidade muito remota ... É continuar pagando (altos impostos !!!) para ver ... Triste !

    domingo às 13:15 ·


  • Sonia Bertocchi Eu já acho que quem está brincando é a Câmara dos Deputados...falta seriedade. Uma pena...
    Por que não o colocaram na Comissão de Orçamento?


    domingo às 13:31 ·  


  • Claudio Henrique Correa Pudera com um século de atraso na educação isso é Brasil com todo o meu respeito. Dizer o que!!!

    domingo às 15:11 


  • Flávia Siqueira Realmente lamentável!!!!!!

    domingo às 17:08· 


  • Paulo Gurgel Não entendi o porquê de tanta lamentação. Afinal, vocês sabem o que fazem os membros desta comissão? Pois é, eu também não...

    domingo às 18:49


  • Juliana Souza Gonçalves rsrs. Situações conflitantes, este gosta de chamar a atenção!

    domingo às 19:15 ·


  • Paulo Gurgel Nao fosse a suposta condição de analfabeto do palhaço deputado, sequer tal comissão seria hoje conhecida de muitos dos educadores. Lamentável é o preconceito de alguns...

    domingo às 19:48 ·


  • Jorge Castro Paulo, pelo menso ele prometeu (em campanha) que iria contar para todos, assim que descobrisse, o que fazem os membros da tal comissão ... já é alguma coisa :)

    domingo às 21:54 · 


  • Lucelia Mariano Eita, vamos ver se esse cabra da peste é msm cearense e sustenta a palavra.

    domingo às 23:40 ·


  • Antonio Menezes da Costa A questão não é de preconceito mas de posicionamento dos educadores frente a essa realidade, seja o tiririca ou outro qualquer os educadores jamais devem perder a capacidade de indiguinação frente ao descaso no qual a educação é tratada em nosso país.

    Ontem às 02:02 ·


  • Paulo Gurgel Indignação que deve também se expressar também frente ao tratamento dado aos pouco letrados no Brasil. Não lembro de muitos educadores indignados com os perversos destaques dados pelo educativo PIG (Partido da Imprensa Golpista) aos desvios da NORMA CULTA cometidos pelo nosso ex-presidente, Luiz Inacio Lula da Silva, que sucedeu ao Prof. Dr. Fernando Henrique Cardoso - aquele mesmo que por oito anos tanto fez pelo ENSINO PRIVADO em nosso país...

    há 23 horas ·